De acordo com a assiríologa Gwendolyn Leick, no período Paleo-Babilônico havia uma serie de instituições sociais reservadas para as mulheres em suas cidade-Estados (Babilônia, Nipur e Quich).
O gagum (recinto sagrado) era habitado por mulheres, usualmente das famílias mais ricas da cidade, incluindo pelo menos uma princesa. Essas mulheres conhecidas como naditus, tinham que se sustentar com a renda de suas propriedades privadas. Elas participavam ativamente na economia da cidade, investindo em grandes e pequenos negócios. A palavra naditum significa “terreno estéril” ou “tabu” e designa assim sua identidade especial no âmbito do sexo feminino. Tais mulheres eram vistas como separadas dos habituais papeis femininos, mas o modo como essa distinção se manifestava parece ter variado de acordo com o tempo e o lugar.
Em cidade de Sippar, nas naditus não podiam casar, ao passo que as dedicadas a Marduk (principal deus Babilônio) podiam.
As de Ninurta em cidade de Nipur também eram solteiras, mas, ao que tudo indica, não vviam num gagum. Uma característica importante era a imposição que de que a naditu, como outras mulheres vinculadas ao culto, não devia ter filhos (semelhante com as damas vestais). Isso implicou virgindade e castidade durante a vida inteira é outra questão.
A ameaça de pena de morte no Código de Hamurábi contra uma naditu que entrara ou freqüentasse tavernas, o local habitual para encontros sexuais fortuitos, foi interpretado como uma indicação de que pesava um tabu sobre a sexualidade dessas mulheres.
Embora existam casos isolados de naditus procurando uma ama-de-leite, é evidente que as mulheres no claustro não tiveram filhos. Isso aumentava muito as suas chances de sobrevivência, uma vez que lhes eram poupados dos riscos de gravidez e os efeitos debilitantes de terem dados à luz durante seus anos férteis (como a maioria das mulheres da época).
Uma naditu ingressava provavelmente no gagum durante a puberdade. A cerimônia de iniciação incluía oferendas a Chamash e Aya, um banquete em memória das naditus falecidas e a apresentação formal da neófita às deidades. Para mulheres de classes sociais mais elevadas, era efetuado um augúrio para confirmar a aprovação do deu. A administração do gagum pagava um “presente de noivado” que, de fato, cobria a forma como a naditu seria sustentada. O Código de Hamurábi distingue três possibilidades: sua parte na herança podia ser administrada por seus irmãos para lhe garantir um suprimento vitalício de vestuário e meios de subsistência, ou, se eles não cumprissem tal compromisso, seria nomeada uma pessoa por ela escolhida para tal encargo. Ou, em vez disso, ela podia administrar seus bens e deixá-los para quem decidisse, se seu pai consentisse nisso por escrito. Caso ela não recebesse sua parte, que tais disposições nem sempre eram levadas a efeito como previsto e os tribunais tinham, às vezes, que decidir sobre a validade de reivindicações feitas por naditus ou suas famílias.
O gagum em Sippar estava no interior do recinto do Ebabar, mas cercado de muros e com seu próprio portão. Contavam-se em varias centenas as casas da naditus e de seus servidores dentro do recinto. Como a instituição se tornou popular e atraiu um numero cada vez maior de novas titulares, e porque as mulheres tinham uma longa expectativa de vida, o gagum estava superlotado no tempo de Hamurábi. O cargo de supervisor das naditus era originalmente exercido por uma delas. Mais tarde, em conformidade com os esforços do estado para secularizar os estabelecimentos religiosos, um homem, provavelmente nomeado pelo rei, era colocado nessa influente posição, apenas inferior ao sanga nessa hierarquia funcional do Ebabar.
Numerosas naditus eram instruídas e atuavam como ecribas. Uma certa Amat-Mamu, por exemplo, serviu nessa capacidade durante quarenta anos.
Em alguns casos, as famílias faziam empenho em perpetuar uma tradição de mandar as filhas para o claustro de Sippar. É interessante ver côo algumas das naditus lograram aumentar seu patrimônio original através de várias iniciativas comerciais. Uma delas comprava e vendia estanho através de um intermediário. Outras faziam empréstimos de cevada, prata ou outras mercadorias, ou eram donas de um estabelecimento comercial, como uma taverna – arriscado demais para freqüentar, mas aceitável como investimento. Também cooperavam entre si m empreendimentos em comum, comprando leiras adjacentes para exploração conjunta ou repartindo um campo.
A princesa Iltani, filha de Sin-mubalit e irmã de Hamurábi, era de longe a mais rica das naditus. Não só possuía vastas áreas de terra arável, mas também investia em gado e certa vez contratou seis pastores para cuidarem das 1.085 cabeças de gado de que era dona.
O envolvimento ativo de Iltani e outras naditus nos assuntos econômicos da cidade está bem documentado. Fica-se com a impressão de que as naditus eram mulheres de negocio argutas empreendedoras, batendo-se sempre com os homens da família por suas heranças e realizando negócios lucrativos.
Bibliografia - Mesopotâmia A Invenção da Cidade - Gwendolyn Leick
O gagum (recinto sagrado) era habitado por mulheres, usualmente das famílias mais ricas da cidade, incluindo pelo menos uma princesa. Essas mulheres conhecidas como naditus, tinham que se sustentar com a renda de suas propriedades privadas. Elas participavam ativamente na economia da cidade, investindo em grandes e pequenos negócios. A palavra naditum significa “terreno estéril” ou “tabu” e designa assim sua identidade especial no âmbito do sexo feminino. Tais mulheres eram vistas como separadas dos habituais papeis femininos, mas o modo como essa distinção se manifestava parece ter variado de acordo com o tempo e o lugar.
Em cidade de Sippar, nas naditus não podiam casar, ao passo que as dedicadas a Marduk (principal deus Babilônio) podiam.
As de Ninurta em cidade de Nipur também eram solteiras, mas, ao que tudo indica, não vviam num gagum. Uma característica importante era a imposição que de que a naditu, como outras mulheres vinculadas ao culto, não devia ter filhos (semelhante com as damas vestais). Isso implicou virgindade e castidade durante a vida inteira é outra questão.
A ameaça de pena de morte no Código de Hamurábi contra uma naditu que entrara ou freqüentasse tavernas, o local habitual para encontros sexuais fortuitos, foi interpretado como uma indicação de que pesava um tabu sobre a sexualidade dessas mulheres.
Embora existam casos isolados de naditus procurando uma ama-de-leite, é evidente que as mulheres no claustro não tiveram filhos. Isso aumentava muito as suas chances de sobrevivência, uma vez que lhes eram poupados dos riscos de gravidez e os efeitos debilitantes de terem dados à luz durante seus anos férteis (como a maioria das mulheres da época).
Uma naditu ingressava provavelmente no gagum durante a puberdade. A cerimônia de iniciação incluía oferendas a Chamash e Aya, um banquete em memória das naditus falecidas e a apresentação formal da neófita às deidades. Para mulheres de classes sociais mais elevadas, era efetuado um augúrio para confirmar a aprovação do deu. A administração do gagum pagava um “presente de noivado” que, de fato, cobria a forma como a naditu seria sustentada. O Código de Hamurábi distingue três possibilidades: sua parte na herança podia ser administrada por seus irmãos para lhe garantir um suprimento vitalício de vestuário e meios de subsistência, ou, se eles não cumprissem tal compromisso, seria nomeada uma pessoa por ela escolhida para tal encargo. Ou, em vez disso, ela podia administrar seus bens e deixá-los para quem decidisse, se seu pai consentisse nisso por escrito. Caso ela não recebesse sua parte, que tais disposições nem sempre eram levadas a efeito como previsto e os tribunais tinham, às vezes, que decidir sobre a validade de reivindicações feitas por naditus ou suas famílias.
O gagum em Sippar estava no interior do recinto do Ebabar, mas cercado de muros e com seu próprio portão. Contavam-se em varias centenas as casas da naditus e de seus servidores dentro do recinto. Como a instituição se tornou popular e atraiu um numero cada vez maior de novas titulares, e porque as mulheres tinham uma longa expectativa de vida, o gagum estava superlotado no tempo de Hamurábi. O cargo de supervisor das naditus era originalmente exercido por uma delas. Mais tarde, em conformidade com os esforços do estado para secularizar os estabelecimentos religiosos, um homem, provavelmente nomeado pelo rei, era colocado nessa influente posição, apenas inferior ao sanga nessa hierarquia funcional do Ebabar.
Numerosas naditus eram instruídas e atuavam como ecribas. Uma certa Amat-Mamu, por exemplo, serviu nessa capacidade durante quarenta anos.
Em alguns casos, as famílias faziam empenho em perpetuar uma tradição de mandar as filhas para o claustro de Sippar. É interessante ver côo algumas das naditus lograram aumentar seu patrimônio original através de várias iniciativas comerciais. Uma delas comprava e vendia estanho através de um intermediário. Outras faziam empréstimos de cevada, prata ou outras mercadorias, ou eram donas de um estabelecimento comercial, como uma taverna – arriscado demais para freqüentar, mas aceitável como investimento. Também cooperavam entre si m empreendimentos em comum, comprando leiras adjacentes para exploração conjunta ou repartindo um campo.
A princesa Iltani, filha de Sin-mubalit e irmã de Hamurábi, era de longe a mais rica das naditus. Não só possuía vastas áreas de terra arável, mas também investia em gado e certa vez contratou seis pastores para cuidarem das 1.085 cabeças de gado de que era dona.
O envolvimento ativo de Iltani e outras naditus nos assuntos econômicos da cidade está bem documentado. Fica-se com a impressão de que as naditus eram mulheres de negocio argutas empreendedoras, batendo-se sempre com os homens da família por suas heranças e realizando negócios lucrativos.
Bibliografia - Mesopotâmia A Invenção da Cidade - Gwendolyn Leick

As naditus já eram mulheres altamente independentes, imagine, já naquela época. A princesa Iltani não devia ter nada de dondoca... Bacana!
ResponderExcluirvc deixou um comentário no meu blog e acabei visitando o seu,gostei do seu blog, pena que não têm muitos posts, faço faculdade de belas artes e me interesso por histórias e materiais da antiguidade, espero que faça outros posts.
ResponderExcluirÓtimo texto.
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